Casa da Glória - Proposta de Intervenção Análise Hertzberger
Partindo do princípio que caracteriza área pública como uma área acessível a todos a qualquer momento, cuja a responsabilidade por sua manutenção é assumida coletivamente e a área privada é uma área cujo acesso é determinado por um pequeno grupo ou por uma pessoa que tem a responsabilidade de mantê-la, o espaço escolhido para intervenção na casa da Glória é considerado predominantemente privado, não possuindo nenhum espaço denominado “Intervalo”.
Localizada do segundo andar do prédio do IGC (Instituto de Geociências) após o famoso passadiço, no Instituto casa da Glória, a sala de estudos não tem acesso direto a rua, podendo ser acessado apenas por membros do IGC, visitantes e hospedes da cada da Glória, durante seu horário de funcionamento (09h00 – 17h00). Estes são fatores que intensificam suas características de local privado, já que segundo Hertzberger “As gradações de demarcações territoriais são acompanhadas pela sensação de acesso. Às vezes é uma questão de legislação, mas, em geral, é exclusivamente uma questão de convenção, respeitada por todos.” Outro fator é que a manutenção da casa, é feita somente pelo órgão responsável, UFMG (Universidade Federal de Minhas Gerais). Na nossa intervenção, não fizemos mudanças quanto as características que predominam no local, procuramos intensificar o uso já direcionado do mesmo, que atualmente funciona como museu e como sala de estudos dos alunos do IGC, de forma que as duas funcionalidades atuem em harmonia, atendendo as necessidades tanto dos visitantes como dos estudantes que frequentam o local diariamente. Na nossa proposta também não foram criados zoneamentos territoriais que fizesse separação entre a sala de estudos e o museu.
Na tentativa de incorporar o conceito de Hertzberger denominado “De usuário a morador” que diz que “Um arquiteto precisa ter tato para criar condições para um maior envolvimento no arranjo e no mobiliário de uma área para que, enfim, os usuários se tornem moradores”, e em oposição à atual disposição do mobiliário da sala, na intervenção criamos um plano flexível e polivalente, onde os móveis foram dispostos de forma que, os usuários possam se apropriar deles, mudando suas posições, usando conforme suas necessidades e aprendendo sobre a história do local, tornando assim o espaço habitável. Isso responde também ao conceito de “Forma convidativa” que diz que “a arquitetura não pode ser outra cosa senão o interesse pela vida cotidiana, tal como vivida por todas as pessoas; é como o vestuário que não deve apenas nos vestir, mas ajustar-se bem a nós.” Na nossa intervenção foram criados também, espaços de apropriação temporária, como por exemplo, as acomodações no mezanino, que incentivam o contato social.
Uma das dificuldades encontradas na intervenção foram as limitações resultantes do tombamento do prédio. As irregularidades encontradas, não puderam ser modificadas, desta forma, tivemos que nos adaptar a elas. Um exemplo disso foi o uso da irregularidade do chão no mezanino para acoplar o som que faria parte do ambiente, ou o uso das colunas localizadas para sustentação do mezanino para agregar informações ao ambiente.
Em resumo, o que fizemos foi estabelecer a urdidura para que os frequentadores do espaço criado estabeleçam a trama conforme a sua necessidade.
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